terça-feira, 1 de setembro de 2015

Amendoeira (Amygdalus communis) - A Neve do Sul

Espécie: Amygdalus communis L. var. dulcis
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae (tribo das Prunoídeas)
Sinonímia: Prunus dulcis (Miller) D .A. Webb.
Nomes comuns: Amendoeira, amendoeira-doce, amendoeira-amarga.
English name: Almond tree.
Diz a lenda que um rei muçulmano mandou plantar um vasto amendoal para agradar a sua esposa, uma princesa cristã oriunda do Norte, que se achava saudosa da neve da sua terra-natal. Certa manhã de Inverno, a princesa deparou-se com uma invulgar paisagem nevada de flores em terras algarvias. 

A Amendoeira é originária do Médio Oriente, em particular da Síria e da Palestina, e foi introduzida na Península Ibérica pelos Muçulmanos. O seu fruto, a amêndoa-doce, ocupa um lugar de eleição na doçaria árabe.

Trata-se de um microfanerófito de folha caduca verde-clara, glabra, inteira e lanceolada, de margem ligeiramente serrada. As flores apresentam cinco pétalas brancas ou branco-rosado, estames róseos e sépalas não coincidentes com as pétalas. O seu fruto é uma drupa, a amêndoa.

Em Portugal é cultivada de norte a sul, com especial incidência nas regiões de Trás-os-Montes e Algarve. A floração é efémera e varia consoante o clima, sendo que no sul ocorre ainda em Janeiro, enquanto no norte ocorre já em finais de Fevereiro.

O óleo da amêndoa, o célebre «óleo de amêndoas-doces», é frequentemente empregue como carreador na extracção de óleos essenciais de outras plantas, aos quais acrescenta a sua acção hidratante e emoliente. Com efeito, o óleo das sementes da amendoeira contém heterósidos cianogenéticos que, após maceração em água, resulta num óleo essencial contendo aldeído benzónico. A variedade A. communis amara (amarga) é muito rica em ácido cianídrico e o seu óleo é tóxico e não pode ser usado na pele. Os óleos essenciais extraídos das sementes dos seus congéneres prunoídeos, como o damasco, o pêssego, o abrunho e a ameixa, também possuem aldeído benzónico e são muitas vezes procurados pela indústria produtora de óleos. 

Para além de ser usada em gastronomia, sobretudo em doçaria, a amêndoa-doce combate a azia e as dores estomacais. As flores da amendoeira são vermífugas e laxantes; as suas folhas são analgésicas e a segunda casca do seu fruto é febrífuga e diurética O leite obtido a partir da amêndoa atenua as manchas da pele, ao mesmo tempo que a hidrata. A infusão da casca e do próprio fruto é indicada em para tratamento da tosse convulsa.   

Existem em Portugal três variedades de amendoeira: a amendoeira-durázia, a amendoeira-molar e a amendoeira-de-coca. Todas elas apresentam variedades amargas e doces. 

Na Bíblia, a amêndoa representa muito mais do que um fruto, é emblema da eternidade e da renovação.

«E Moisés pôs estas varas [as varas representativas das 12 tribos de Israel, levadas por cada um dos seus representantes] perante o senhor, na tenda do testemunho. Sucedeu que, no dia seguinte, Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que a vara de Araão, pela Casa de Levi, florescia; porque produzira flores, brotara renovos e dera amêndoas» 
Números, 17, 7-8 

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